Lola Quer Dançar: Uma história de liberdade, coragem e amor

Lola Quer Dançar: Uma história de liberdade, coragem e amor

“Queremos contar todas as histórias!” foi assim que a diretora e roteirista de “Lola quer dançar”, Karola Lobo, finalizou o bate-papo com o público após a exibição da pré-estreia da obra, mostrando que ainda existe muito o que contar em cena. O evento aconteceu no último sábado (20/9), em Pindamonhangaba (SP) e contou com a presença do elenco e da equipe de produção que respondeu perguntas do público.

A comédia romântica marca os 5 anos da produtora Flor Filmes e acompanha Lola (Amanda Gazzo), mulher intensa, autêntica, independente e grávida de 5 meses do seu primeiro filho, Bento. Porém, sua vida muda quando seu noivo Rui (Júnior Guimarães) termina o relacionamento de anos abandonando-a para criar um filho sozinha e surge uma nova paixão 14 anos mais novo, Samuel (Murilo Belvedereze).

É possível se aprofundar em vários aspectos interessantes da obra como: a construção dos personagens que reflete a realidade de muitas mulheres pelo mundo, a não sacralização da gravidez, o desfoque na diferença de idade do par romântico, amor próprio e as qualidades de um produção feita com recursos limitados.

Entretanto, é necessário ressaltar três pontos que trazem ainda mais luz e esperança para a história. O primeiro é a rede de apoio que Lola possui e é composta pela mãe e as amigas, que nem sempre concordam nos argumentos, mas que sempre estão ao lado dela para apoia-la e vê-la bem.

O segundo é buscar a ajuda de profissionais qualificados para buscar a compreensão dos sentimentos e de como agir. Lola consegue desmistificar a rigidez do profissional de saúde mental em suas conversas com a terapeuta, que inclusive são cheias de metáforas com o tarô e seus significados.

A construção dos personagens masculinos são o terceiro ponto que traz veracidade e reflexão para a história que consegue mostrar dois opostos: um homem egoísta que não pensa duas vezes antes de abandonar sua noiva grávida e um homem amoroso e disposto a apoiar a criação desse bebê que virá ao mundo em breve. Junior Guimarães ressalta quão importante é para ele participar de obras como essa da Flor Filmes, “É uma alegria gigante fazer parte da Flor Filmes. Porque de certa forma, eu só tava seguindo uma coisa recorrente da minha vida, de trabalhar com audiovisual e poder sair da minha panela e ter esse olhar, sentir essa intensidade, nesse caso sentir esse olhar tão claro da vida dentro do contexto feminino, isso pra mim é maravilhoso”.

O único ponto que faltou para um final completo foi a finalização da coreografia que a protagonista estava preparando, mesmo ela tendo uma cena linda e íntima de uma dança casual que ressalta a importância da valorização de si mesma, ainda ficou um gostinho de quero mais.

Karola Lobo tem sua marca registrada no Flor Filmes com obras de terror como Duda e Barba Azul Decapitado, e agora está trazendo outros gêneros como a comédia romântica para a produtora. Essa busca por crescimento, sempre, ao lado de Cris Vale que também nutre uma admiração pela amiga. “Poder trabalhar com uma amiga que confia em mim, que acredita em mim, e eu confio nela e acredito nela, a gente consegue fazer algo que atinja outras pessoas e pode ser um mundo possível, uma janela para um novo mundo.” conta a diretora feliz com a amizade de mais de 23 anos.

Como um todo a obra consegue trazer algo que grandes produções Hollywoodianas, como Amores Materialistas (Celine Song), não cumprem. Para amar alguém é necessário se amar primeiro e entender em qual lugar a pessoa amada possui na sua vida. A intérprete da protagonista, Amanda Gazzo, reforça essa ideia. “Toda comédia romântica, como a gente disse aqui (na coletiva), tem um pouco da mulher ir atrás de um cara. Para o filme terminar bem, ela termina com ele. Então, eu acho que, em primeiro lugar, a gente precisa gostar da gente mesma, eu acho que isso é uma grande lição.”

Para a Flor Filmes e outras produtoras independentes continuarem firmes na sua missão de contar essas e inúmeras outras histórias é necessário o apoio financeiro, seja políticas públicas ou apoio de pessoas jurídicas e físicas. E até mesmo quem não possui condições financeiras podem ajudar, como reforça a produtora Cris Vale, “Qualquer pessoa que recolhe imposto de renda pode apoiar um projeto cultural. Durante o seu recolhimento do imposto de renda, estará destinando um percentual do que você pagaria para a Receita Federal para apoiar um projeto cultural. Simplesmente revertendo o dinheiro que é pago em imposto para o governo federal para um projeto cultural. A gente já passou por muitos momentos difíceis juntas. E a única pessoa que eu sei que se o mundo estiver caindo, ela vai me ajudar a segurar os pedaços e colar os cacos, é a Cris.”

É essencial enfatizar que o filme foi contemplado com o 1° lugar no Edital Linguagens de Pindamonhangaba. Aguarde as próximas exibições da produção!

Camila Couto

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