Se Não Fosse Você: Vale a pena ir ao cinema?

Se Não Fosse Você: Vale a pena ir ao cinema?

Estreia amanhã (23/10), Se Não Fosse Você, a nova adaptação literária de um livro homônimo de Colleen Hoover. A obra traz o luto envolto de muitas camadas, mostrando como cada um reage a esse momento de dor, principalmente quando carregado de grandes reviravoltas.

Após um acidente de carro que resulta em duas mortes e a revelação de uma grande traição, a trama gira em torno de duas personagens, a mãe e esposa dedicada, Morgan Grant (Allison Williams) e sua filha Clara (Mckenna Grace). Elas são forçadas a confrontar segredos da família, redefinir o amor próprio, o relacionamento delas e se redescobrir.

É muito interessante como a história consegue trazer o drama e o romance de jovens em meio a situações complexas e duras, pois o relacionamento de Clara e Miller mostra como a paixão não tem hora para se nascer e como pode aflorar com o decorrer da história. Da mesma forma um amor pode ressurgir como acontece com Morgan e Seu cunhado.

O roteiro de Susan McMartin constrói os personagens de uma forma realista (aos moldes estadunidenses), mostrando com a tristeza e o luto podem deixar as pessoas cegas para situações óbvias como a mãe esconder da filha o real motivo do acidente de carro, por ser um tema doloroso e ela querer proteger a primogênita. Sendo que a proteção só sufoca ainda mais a confiança e convivência das duas.

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É encantador ver o crescimento dos amores dentro da história, seja de forma mais simples como do jovem casal, como de forma mais madura e complicada como de Morgan e Jonah (Dave Franco). Assim, dando ares de um futuro tranquilo e amoroso para o futuro de todos.

O ponto que chama a atenção no desenvolvimento da trama é a diferença das classes sociais para o contexto dos personagens. Por exemplo, desde o começo é apresentado o preconceito que o Miller sofre por ter um pai presidiário por tráfico de drogas. Como ele não poderá seguir a carreira dos sonhos por dificuldades financeiras. Enquanto Clara pode seguir a área que desejar mesmo contrariada pela mãe, mesmo após a pessoa que sustentava a família (o pai ter falecido).

A trilha sonora atual e dinâmica consegue envolver bem os espectadores, conquistando ainda mais a atenção de todos do começo ao fim. Sendo um ponto positivo para tirar a atenção do fato de o diretor Josh Boone, que anteriormente dirigiu “A Culpa é das Estrelas”, não ter conseguido conduzir de uma forma tão equilibrada o romance clichê (que não tem problema nenhum em ser assim) com toda a complexidade que existe dentro o luto aliado da traição.

A personagem Lexie (Sam Morelos) ficou responsável pelo lado cômico, carregando sozinha o peso de trazer leveza para momentos que não precisava dessa quebra, porém é inevitável não gostar um pouco que seja dela, já que ela é a representação perfeita de uma jovem da sua idade, rebelde, bem humorada e uma boa amiga.

Camila Couto

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