Homo Argentum: Critica social estrelada por Guillermo Francella
Com uma bilheteria argentina marcante pós-pandemia, Homo Argentum registrou mais de 1 milhão de pessoas aos cinemas em apenas 11 dias. Esse feito é o resultado de uma soma muito perspicaz: a direção de Mariano Cohn e Gastón Duprat, a atuação de Guillermo Francella e um roteiro inteligente.
Os roteiristas e diretores construíram 16 histórias cômicas que questionam as atitudes de muitos cidadãos argentinos. Mas se dissessem que estas são baseadas em muitos “homens de bem” brasileiros, seria difícil alguém duvidar. Com temas que permeiam a vida cotidiana, é possível visualizar fortes críticas ao homem contemporâneo com todas as suas camadas de hipocrisia, despindo-o da fantasia de bondade e escancarando a verdade.
Infelizmente, o presidente Javier Milei não conseguiu (ou não quis) captar a essência da obra e aproveitou o sucesso de Homo Argentum para reforçar seu contraponto àquilo que ele chama de “agenda woke”. Entretanto, Cohn esclareceu que Milei fez uma interpretação equivocada do longa-metragem, este tipo de correção já está na rotina do cineasta que está acostumado a ver a classe política argentina ignorar o tom crítico real de sua obra e torna-la um apoio aos seus discursos.

A ironia começa no título que reflete o exercício de observação e análise da evolução humana. Todas as histórias são protagonizadas por Fracella e é interessante ressaltar duas, a primeira, em que ele vive um homem de classe média alta conversando sobre a migração compulsória dos jovens para a Europa, e, em seguida, vai à varanda fumar um cigarro e causa um acidente. A maneira com que o personagem age e demonstra os sentimentos durante o acidente e após torna tudo único e espetacular, e comprova porque é um dos maiores atores argentinos da atualidade.
Outro momento, apresenta um pai viúvo e os filhos, que se reúnem para dividir a herança, após o pai anunciar estar namorando a governanta da casa. A produção consegue iluminar o caminho que percorre a hipocrisia social em prol do benefício próprio.
O filme conta com a distribuição do The Walt Disney Brasil e chega dia 20 de novembro nos cinemas.
