A Última Casa: A importância da mídia física

A Última Casa: A importância da mídia física

“A Última Casa” estreou recentemente na Netflix com uma ótima atuação de Wagner Moura e Greta Lee, porém com um roteiro que deixou a desejar (leia aqui a crítica completa). O longa acompanha a família Delgado, formada por Jason (Moura), Ann (Lee) e os jovens Graham (Noah Alexander Sosnowski) e Ruth (Riley Chung), que ficam presos dentro da própria casa após uma forte chuva assolar a região onde moram. O suspense segue envolto em muitas perguntas, como “Quem fez isso?” e “Por que se tornaram reféns da própria moradia?”.

Um dos pontos que mais chama atenção no início da trama é a importância da mídia física. A tecnologia aproximou pessoas e produtos digitais, especialmente diante dos altos preços de livros, jogos, cinema e streaming. Os livros, antes impressos em papel, se transformaram em arquivos PDF na tela. Os jogos de tabuleiro agora cabem em um clique do mouse ou do controle. Já os filmes e as séries, que antes só podiam ser vistos nas telonas ou em aparelhos de videocassete e DVD, hoje estão disponíveis instantaneamente nas plataformas de streaming.

Entretanto, “A Última Casa” mostra como é importante ter uma forma de entretenimento que continue acessível mesmo que a internet caia ou a energia acabe. Essa reflexão fica evidente no longa: como ninguém podia sair de casa, principalmente no início da trama, a família Delgado, além de preservar itens básicos de sobrevivência como água e comida, também contou com livros, jogos de tabuleiro e instrumentos musicais (como um piano) e, enquanto havia energia elétrica, ainda tinha discos de música e filmes em fita.

a ultima casa netflix wagner moura greta lee
The Last House. (L-R) Noah Alexander Sosnowski as Graham, Wagner Moura as Jason, Greta Lee as Ann, Riley Chung as Ruth in The Last House. Cr. Chris Baker/Netflix © 2026

O fim da posse real do entretenimento

Os tempos atuais reforçam essa reflexão. A Amazon anunciou o fim do suporte aos Kindles lançados antes de 2012, ou seja, esses aparelhos deixarão de baixar novos livros e de receber atualizações de software. Os usuários ainda poderão ligar o aparelho e ler os livros já baixados antes do encerramento, mas não será mais possível adquirir novos títulos nele.

Na área dos games, o debate sobre o controle dos produtos e o direito de uso também está em pauta. O Xbox passou a exibir uma mensagem clara aos jogadores informando que a compra de um jogo digital é, na verdade, a aquisição de uma licença de uso. Isso significa que jogos com DRM podem ser desativados por distribuidoras e desenvolvedores a qualquer momento, com ou sem aviso prévio.

Diante desses exemplos, “A Última Casa” acaba funcionando como um alerta disfarçado de suspense: em um mundo cada vez mais dependente de licenças, servidores e conexões, a mídia física deixou de ser nostalgia e item de colecionador para se tornar garantia de acesso. Vale a pergunta: será que estamos realmente preparados para viver sem internet, mesmo que seja por alguns dias?

Camila Couto

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *