Atelier Rolle, Uma Jornada: Um encontro entre o belo e a reflexão criativa

Atelier Rolle, Uma Jornada: Um encontro entre o belo e a reflexão criativa

Com imagens interessantes de objetos comuns, porém ricos em beleza, conhecimento e criatividade, o curta-metragem traz pensamentos sobre a sétima arte e a vida. Exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, juntamente com as sessões do filme “O Lago”.  

A obra roteirizada por Fabrice Aragno é uma viagem pelo estúdio de Jean-Luc Godard em Rolle, na Suíça, onde é possível se aprofundar nas artes, livros e detalhes de todos os cantos do antro de criatividade. Envolto em uma estética delicada e contemplativa, o filme se apresenta quase como um quadro em movimento, sendo belo, mas estático. Para esse filme se diferenciar entre vários outros tão incríveis quanto ele, precisava que esteticamente fosse além, principalmente sendo uma referência profunda a Godard, que foi um dos nomes mais emblemáticos da Nouvelle Vague francesa, movimento cinematográfico que, nos anos 1960, reinventou a linguagem do cinema com cortes abruptos, narrativas fragmentadas e uma liberdade estética que desafiava as convenções clássicas. 

A narração em francês, embora melódica como uma canção de ninar, somada às legendas em inglês, criava um distanciamento curioso com o espectador, estabelecendo uma barreira sutil como se existisse um vidro embaçado entre os olhos e a tela. E, ainda que sua duração seja breve (apenas trinta minutos), o tempo parecia se dilatar, como se cada cena se alongasse em silêncio, tornando à em uma experiência em que o belo acaba ficando perigosamente cansativo. Porém, faz alusão ao estilo do seu homenageado que em muitas de suas obras estava mais interessado em provocar pensamento do que em contar histórias lineares, se tornaram sinônimo de um cinema cerebral, político e experimental.

Não à toa, quando Renato Russo canta que “a Mônica gostava do Jean-Luc Godard”, ele não apenas desenha o perfil de uma jovem intelectualmente sofisticada, mas também evoca esse universo de arte engajada e sensível, onde o belo e o difícil andam lado a lado. É nesse mesmo espírito que certos filmes se revelam: visualmente ricos, filosoficamente densos e, por vezes, exaustivamente voltado para o silêncio do pensamento. 

Camila Couto

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