Meu Bolo Favorito: Mais surpreendente do que podemos imaginar

O poeta brasileiro, Augusto dos Anjos, diz em seu poema “Versos Íntimos” que “A mão que afaga é a mesma que apedreja” e foi exatamente assim que me senti com o final de Meu Bolo Favorito. O drama iraniano acompanha Mahin (Lili Farhadpour), uma senhora de 70 anos que vive sozinha em Teerã após a morte do marido e a ida da filha para a Europa. Um dia, Mahin decide sair da solidão e se dedicar a sua vida amorosa.
O filme começa como um delicado e carinhoso lembrete de que ninguém precisa viver solitário, reforçando que não existe idade para ir atrás do que você deseja. Mahin mostra a tristeza de viver solitária e que ela acredita que agora é a hora de se abrir para um novo relacionamento.
O roteiro de Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha cria uma poesia emocionante, corajosa e com momentos bem humorados que não nos deixa desviar o olhar da tela. Você quer que eles sejam felizes. Os diálogos mesmo quando simples e rotineiros são tudo o que eles precisam para ser felizes.
É interessante como eles veem um peso emocional na idade que possuem, porém eles querem viver mesmo conscientes das limitações dos seus 70 anos. Isso está correto de se pensar, sua idade não pode ser um limitador para seguir sua vida de forma plena, só que um personagem não leva em conta suas limitações causando um trágico final para a história.
Transformando um filme que estava sendo divulgado como uma história feliz se tornar um soco na boca do estômago do espectador. O choque final é muito grande, principalmente após a protagonista ter percorrido um caminho difícil emocionalmente, como se fosse um misto de castigo divino pela ousadia dela já que a Polícia da Moralidade a prenderia por tudo o que ela fez, com um sussurro no nosso ouvido dizendo que a solidão é inevitável.
A obra não deixa de ser linda e emocionante por ser surpreendente, conquistando um o público dos festivais por onde passou e recebendo os prêmios de Prêmio Júri Ecumenico e Melhor Filme pela Crítica no Festival de Berlim em 2024. Além de fazer uma crítica a Polícia da Moralidade que era utilizada até 2022 para Comando de Aplicação da Lei da República Islâmica do Irã, criado com a missão de prender pessoas que violem o código de vestimenta islâmico (geralmente mulheres).
O longa estreia dia 9 de janeiro de 2025 nos cinemas do Brasil.