NANA: o incrível mangá/anime que te parte o coração

NANA: o incrível mangá/anime que te parte o coração

Mais de 10 anos depois, estou relendo NANA, o que me fez ter outra visão da mesma história.

Tem histórias que a gente nunca esquece. E não é porque elas terminaram de forma marcante, mas porque elas nunca terminaram de verdade.

NANA, da Ai Yazawa, é uma dessas histórias. Eu conheci o anime/mangá por meio da famosa Marimoon há mais de 10 anos. Na época, era fácil escolher um lado: ou eu me identificava com a Hachi, ou com a Nana, ou torcia contra uma, ou defendia a outra.

Só que aí o tempo passou, e resolvi reler. E então veio o tapa: a Nana que eu li lá atrás não é a mesma Nana que estou lendo agora. E, muito provavelmente, a culpada por isso sou eu. Ou melhor, a pessoa que eu me tornei.

Duas Nanas, Dois Mundos e um Vazio no Meio

Pra quem nunca leu o mangá ou viu o anime, NANA conta a história de duas jovens de 20 anos que se conhecem por acaso e acabam dividindo um apartamento em Tóquio. As duas se chamam Nana, mas as semelhanças param por aí, pois elas são o completo oposto.

Nana Osaki é vocalista de uma banda punk, cheia de atitude, que se esconde por trás de uma vibe durona, pois já apanhou muito da vida.

Já a Hachiko (sim, o cachorrinho), ou Hachi, ou Nana Komatsu é sonhadora, carente e se joga em relacionamentos como quem pula em uma piscina sem olhar a sua profundidade.

A princípio, você acha que a história é uma comédia de opostos, até porque você ri de várias interações das duas. Mas, não se engane! O mangá/anime é profundamente triste, lindo e verdadeiro.

Amor X Carência

As duas Nanas sofrem. E não é pouco.

A Nana Osaki ama (venera) o Ren até se anular. Enquanto que a Hachi se entrega ao Takumi (bleh!), por medo da solidão. E no meio disso tudo, a amizade entre elas também vira uma espécie de corda bamba. Já que uma precisa da outra quase como se a outra fosse um salva-vidas emocional.

Na verdade, o anime/mangá fala sobre o que as pessoas tentam esconder. O quanto que as pessoas se agarram a alguém só pra não se afundar, ou aceitam migalhas achando que era amor, ou o quanto é difícil se bastar quando o buraco dentro delas parece grande demais.

Tudo isso contado com um traço lindo e músicas que grudam. Afinal, a trilha sonora do anime é um capítulo à parte e merece ser ouvida.

Vivienne Westwood: o punk da estilista e a estética de Nana

Só pela história, Nana já é maravilhosa. Mas, Ai Yazawa também acrescentou uma estética gritante em sua obra. Isso, porque boa parte do visual de Nana Osaki é inspirado no estilo da designer britânica Vivienne Westwood, ícone do movimento punk e da moda que confronta.

As correntes, o isqueiro de Shin, os corsets, os sapatos de plataforma absurdos são colocados na história como personagens e cada peça tem sua importância.

Ver a Nana Osaki usando peças icônicas da Westwood não é só referência pop. É narrativa visual. Ela se veste como quem está sempre pronta pra uma batalha. E de certa forma, está. Contra o abandono, contra o amor que sufoca e contra o mundo que cobra demais e de quem sente tudo o tempo todo.

Aliás, até mesmo a Hachi, em certos momentos, se deixa influenciar a experimentar essas roupas, tentando absorver um pouco da força da amiga (mal sabe ela que Osaki também precisa do mesmo).

A Moda, em NANA, nunca é só sobre aparência. É sobre defesa, expressão e sobre tentar ter algum controle num mundo onde tudo escapa.

A Nana de Antes e a Nana de Agora

Quando eu li o mangá e assisti ao anime há 10 anos, eu achava que a história era sobre amizade, estilo, Tóquio, bandas punks e relacionamentos. Ledo engano!

Nana é sobre a vida real! Ou seja, é sobre amor em todas as suas formas e cores, mas também sobre traumas, dependência, abandono, abusos, amadurecimento e escolhas… e suas consequências!

Nana não é e nem nunca foi uma história com final feliz. Aliás, não tem final até hoje, já que o mangá está em hiatus desde 2009, devido a autora ter se afastado por motivo de saúde.

Mas, se for parar para pensar, de algum jeito, isso também faz sentido, já que há histórias na vida real que também ficam pela metade e, ainda assim, deixam marcas…

Por que vale a pena ler o mangá ou assistir ao anime Nana?

Porque simplesmente Nana não envelhece. Nessa minha segunda visita ao anime/mangá, percebi que as pessoas é quem mudam e amadurecem.

Isto é, ler a história ou relê-la é como se a gente estivesse olhando para si mesma. Só que com mais clareza sobre as coisas da vida.

Se você nunca leu, leia! (Mas, prepare os lencinhos!)

Se você já leu, releia! (Mas, prepare os lencinhos, também)

Porque uma hora ou outra, na decisão de quaisquer um dos personagens, você vai se identificar ali.

Mesmo que seja em uma Nana ou em ambas.

Onde Assistir? 

Netflix (47 episódios – correspondentes até o 12º volume do mangá);

P.S.: tem os live action também, mas esses não estão nos streamings da vida.

Onde ler? 

Mangá Nana (Editora JBC).

Até mais, e Obrigada pelos Peixes.

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Luciana Guedes

Selo de Garantia de que o Acre existe! Integrante da Casa Corvinal. Mestre Jedi nas horas vagas. Possui como meta de vida conhecer Valinor, a Oeste da Terra-Média e acredita que 42 é a resposta para tudo.

2 thoughts on “NANA: o incrível mangá/anime que te parte o coração

  1. Na minha adolescência, eu ouvia falar muito de Nana, mas nunca tive coragem de assistir por já ser uma jovem melancólica que se envolve fácil por meio da arte.
    Hoje aos meus 31 acho que finalmente criei coragem, comecei a assistir e já tô sentindo aquele sentimento nostálgico só ao ouvir a música de abertura. Já preparei meu lenço, pq acho que o baque vai ser grande.

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