Stranger Things não teve coragem de assumir suas escolhas?
O último episódio de Stranger Things foi um marco para quem esperou por quase uma década para o encerramento da história. A obra contou com 8 episódios divididos em 3 partes, sendo uma grande aposta da Netflix que cativou um público fiel, porém a plataforma não soube arcar com as consequências de suas decisões. A quinta e última temporada da série criada pelos irmãos Duffer mostrou as consequências da abertura dos portais do mundo invertido obrigam o grupo de amigos a organizarem um plano para capturar e matar Vecna (Jamie Campbell Bower), que estava desaparecido. Ao mesmo tempo, eles precisam entender como lidar com o governo que coloca Hawkins sob quarentena militar, intensificando a busca por Eleven (Millie Bobby Brown).
A produção construiu um arco de desenvolvimento relevante para cada personagem, solucionando aos poucos algumas questões internas do grupo, como o triângulo amoroso entre Nancy Wheeler (Natalia Dyer), Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery), como salvar Max Mayfield (Sadie Sink), o paradeiro da (insuportável) irmã da protagonista – Kali (Linnea Berthelsen), e a fórmula perfeita para Eleven derrotar o vilão.
Também acompanhamos o desenrolar de personagens que tiveram um papel importante para a finalização da trama, como a Erica Sinclair (Priah Ferguson), Holly Wheeler (Nell Fisher) e Derek Turnbow (Jake Connelly). Além de responder várias perguntas que tanto especulamos, aliados de inúmeras teorias (que podemos considerar o maior erro do fã…).
O que a Netflix mais deu para os fãs foi tempo para criar teorias e expectativas para o grande final da série, tanto durante os anos de espera para a última temporada quanto entre os episódios. Algo que é ótimo para o marketing, pode não ter sido tão bem pensado quando os episódios foram escritos, pois cada parte teve um ritmo diferente que dividiu opiniões sobre a obra como um todo.

Enquanto a primeira parte tirou o fôlego dos espectadores de uma forma positiva, infelizmente, a segunda parte ficou fortemente marcada por suas longas pausas em diálogos realizados em momentos questionáveis. E para finalizar, o último episódio ficou responsável por responder absolutamente tudo o que foi construído durante todo esse tempo, desde a origem do vilão até o futuro de cada um e isso pode não ter sido uma boa escolha, principalmente por frustrar a expectativa de vários fãs com um final interpretativo.
Já foi dito em outros textos aqui no Blog como esta autora não é fã de finais abertos, pois demonstra um sentimento de indecisão e insegurança dos escritores da série. A protagonista e todos os seus amigos sofreram muito ao longo de todo esse período para deixar para o público decidir o que mais lhe agradava, além de gerar novamente um buzz nas redes sociais com palpites e opiniões que possuem a irritante “necessidade” de estarem certos o tempo todo.
A última temporada de Stranger Things conseguiu fechar a trama desse grupo de amigos com muito carinho e respeito, mesmo o final não tendo sido o que muitos esperavam, foi possível ver boa parte dos personagens que nos aproximamos e acompanhamos saindo daquele looping de sofrimento e tristeza que estavam vivendo nas mãos do vilão. E pudemos voltar mais uma vez para a mesa de RPG que deu início a esse drama, para nos despedir com muita emoção.
ALERTA SPOILER! E é sempre bom lembrar que não existe certo ou errado: se você acredita que a Eleven se sacrificou no final, está tudo bem, e se você acredita que ela fugiu para um lugar seguro, está tudo bem também.
Quer saber qual final de Stranger Things que eu decidi aceitar? Assista ao vídeo que fiz com o criador de conteúdo Denis Augusto no canal do YouTube O Analisador.
